ATIVIDADES


Vídeo nas Aldeias dá suporte técnico e financeiro para viabilizar a emergente produção audiovisual indígena e sua difusão entre os povos indígenas, bem como no circuito midiático nacional e internacional.

As linhas de atuação são três: formação, produção e divulgação.

A prioridade é oferecer uma formação de qualidade, com um treinamento contínuo e aprofundado mediante oficinas de capacitação de um mês de duração, nas aldeias indígenas. A formação se dá em quatro etapas: roteiro, captação de imagens, análise crítica do material captado e edição. A dinâmica interativa da oficina faz com que a comunidade seja incluída em todas as etapas deste processo.

A partir destas oficinas, cada aluno elabora um projeto de realização que será acompanhado e apoiado pelo núcleo de produção do Vídeo nas Aldeias. Na sede do Vídeo nas Aldeias (Olinda/Pernambuco) se realiza a produção, a finalização e a distribuição dos vídeos. Esta sede oferece a infra-estrutura necessária à produção dos vídeos e permite pôr em prática os projetos, do ponto de vista financeiro, técnico e de conteúdo.

Vídeo nas Aldeias possibilita o intercâmbio entre os povos indígenas através da distribuição do acervo de vídeos para as comunidades e associações indígenas no Brasil e no exterior. Mas também contribui para que o público não-indígena entre em contato com a realidade indígena contemporânea, distribuindo os filmes na mídia em geral (TVs públicas brasileiras, Centros Culturais, Museus, Universidades e Festivais nacionais e internacionais), nas instâncias de poder (local, estadual e nacional), e no sistema educacional.

DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM


Vídeo nas Aldeias estabelece contratos de direitos autorais e de imagem com os realizadores e suas comunidades, contribuindo com a conscientização das comunidades indígenas no que diz respeito ao uso de sua imagem e às suas obras audiovisuais.

Os contratos atribuem: 35% da receita de distribuição ao realizador por direitos autorais, 35% para a comunidade filmada por direitos de imagem e 30% para o Vídeo nas Aldeias para ser revertido na capacitação de realizadores indígenas.

REALIZAÇÕES


Vídeo nas Aldeias construiu ao longo de sua trajetória um acervo de mais de 3.000 horas de imagens de 40 povos indígenas brasileiros e produziu uma coleção de mais de 70 vídeos, dentre os quais aproximadamente a metade é de autoria indígena. Falados em suas línguas originais, todos têm versão em português, e a maioria deles em inglês e em espanhol. Alguns já têm legendas em francês e em italiano.

Certas produções do Vídeo nas Aldeias participaram da divulgação da realidade indígena por meio de políticas públicas:

- 2006: vídeo “Iauaretê, Cachoeira das Onças” sobre o processo de tombamento da cachoeira de Iauaretê como Local Sagrado dos povos Indígenas do Rio Negro, em parceria com o IPHAN/ MINC.
- 2002: “Agenda 31” sobre a formação de agentes agroflorestais indígenas do Acre (CPI/AC), em parceria com Ministério do Meio Ambiente.
- 2000: série “Índios no Brasil” para a TV Escola, em parceria com o Ministério da Educação.
- 1998: vídeos da campanha de prevenção à Aids para áreas indígenas (para o Ministério da Saúde).

Vídeo nas Aldeias tem usado também o vídeo como instrumento político de intervenção em várias lutas do movimento indígena:
  • Na ocasião dos primeiros contatos com os índios isolados da Gleba Corumbiara em Rondônia, quando os fazendeiros e a própria Funai se negavam a reconhecer a sua existência, produzir imagens desses contatos e divulgá-los nacionalmente pela TV foi determinante para que a Justiça Federal ordenar a proteção dos índios. 20 anos depois, Vincent Carelli fundador do Vídeo nas Aldeias, finaliza em 2009 o documentário Corumbiara sobre essa busca de provas do massacre.
  • Através do filme Pïrinop, Meu primeiro contato (2007), o VNA apoia a retomada das terras tradicionais dos Ikpeng no rio Jatobá, no Xingu, Mato Grosso.
  • Para a luta histórica pela demarcação da área Raposo Serra do Sol, no Estado de Roraima, Vídeo nas Aldeias produziu dois vídeos que foram instrumentos importantes de campanha.
  • Ao mandar imagens da presença maciça de garimpeiros na área dos índios Nambiquara do Sararé para o Banco Mundial quando estava negociando um empréstimo com o governo de Mato Grosso, a desintrusão da área foi colocada como condicionante para a liberação dos recursos.